Sobre limites…

Como postei ontem, saiu no Blog da Nike um texto falando sobre os corredores que fizeram os 600k e que tb farão a Volta à Ilha, eu fui uma das entrevistadas.

Disse o seguinte:

“Sem dúvida é um plus fazer essa prova tendo a experiência dos 600K no histórico. Para mim não foi uma decisão difícil. Difícil é eu recusar um desafio. A principal lição que tirei lá foi não ir além do limite pois o preço é alto. Outra foi trabalhar o psicológico tanto quanto o físico pois isso conta muito em momentos de resistência”,

E ontem à noite a Adriana, leitora que virou amiga, me disse que foi diagnosticada com Tendinite Calcânea e que estava meio desesperada com a possibilidade de ter que ficar parada.

Em meados de Março de 2010 comecei a sentir uma dor no pé, fui ao médico, fiz umas radiografias e não deu nada. Continuei correndo à base da Advil e tinha dias que tomava uma cartela inteira (4 comprimidos). Foi uma época que eu fazia uns 80km por semana como se não houvesse amanhã.

Umas 3 semanas depois, logo que voltei de uma viagem ao Rio para a O2, o Ibuprofeno já não funcionava mais e eu mal conseguia andar. A Unimed ainda não cobria ressonância por conta da carência e fiz inúmeras radiografias. Esse exame não detecta a Fratura por Stress no começo, só na fase tardia quando um calo ósseo já está sendo formado.

Apareceu no Raio-X, o médico me disse que eu estava com uma Fratura por stress super avançada e já devia estar parada há tempos.

Demorei 2 meses para aceitar e respeitar minha dor e isso me custou mais 2 meses parada.

Quem conviveu comigo lembra do inferno que se tornou minha vida, levei bronca de todo mundo, principalmente do Zé Lúcio que aliás graças à ele entendi e aceitei minha dor. O Zé me ensinou o 5 estágios da negação:

  1. Negação e Isolamento
  2. Raiva
  3. Negociação
  4. Depressão
  5. Aceitação:

A tristeza foi embora conforme a aceitação se instalava… Peguei firme na musculação, fazia longas aulas de Spinning e esperava meu metatarso (ossinho do pé) se recuperar.

Dois meses se passaram num piscar de olhos e fui convidada pela Sta.Constância a ir pro Rio correr minha primeira meia maratona. Não treinei pois foi exatamente na semana de alta, acabei fazendo em 01:59 e voltei oficialmente pras pistas!

Na mesma semana fui convidada para os 600k. Comecei os treinos com o Núcleo Aventura e não demorou muito para minhas canelas começarem a doer. Continuei, dessa vez sem remédios. Estava com canelite nas duas pernas e comecei incessantes sessões de ultrassom e tens, fazia duas vezes por semana. Não adiantou nada. rs

Fui pro Desafio. E fui uma tonta, ao invés de abrir mão do trecho de subida que me foi designado para o terceiro dia, fiz questão de mostrar que era machona e que podia fazê-lo.

No dia anterior tomei um shot de corticóide pq já não aguentava de dor, mal conseguia pisar no chão.

Zé Lúcio já dizia (ele tb correu): “Meu uniforme é a dor”.

Esse é o gráfico de altimetria do trecho.

E aí que fiz, me arrebentei e terminei sentada na valeta chorando feito criança.

Fiquei um tempo sem correr, dessa vez com mais tranquilidade e aprendi a lição.

Conclusão: Cada um tem o que merece.

No final das contas aprendi que respeitar o corpo é OBRIGAÇÃO. Ninguém é de ferro e nós, mulheres, não temos que disputar com homens. Não temos que tentar o tempo todo provar que somos tão boas quanto eles. Nosso corpo é diferente, é ilusão achar que podemos correr igual, eles sempre correrão mais que nós.

Mas pensem…pelo menos somos gostosinhas!!

Então meu conselho (dentre muitos que dou e não sigo) para a Adriana e para todas as amigas que me lêem é: Respeite seu corpo, sua dor e por nada nem ninguém vá além dos seus limites pois o preço é alto.

Adriana, pode contar comigo para fazer umas horas de transport, acho um saco mas me comprometo a ficar do seu lado pra juntas vermos que pode ser legal.

Beijo pra Fernanda Almeida que virou minha amigona do peito porque tb sofria de canelite no Desafio!

7 respostas em “Sobre limites…

  1. Paula, nunca me machuquei e acho que o segredo é esse mesmo que vc, humildemente, reconheceu ter descoberto há pouco tempo.
    Eu, acho que por ter feito esporte a vida toda, cursar a faculdade de Educação Física, sempre tive medo de me machucar. Então, optei pelo “esporte pra toda vida”, lema do meu mestre Nuno Cobra.
    Vou no meu limite, às vezes baixo o tempo, às vezes dou vexame…hahaha, mas respeito o meu corpo e tem dado certo.
    Se fosse na onda do Bruno, que é o vento na pista, teria me dado mal. Ele é rápido, é homem, é atleta, e eu sou a mulherzinha da relação…hahaha
    Melhor assim.
    Boa sorte à Adriana e parabéns a vc por ser companheira.
    bjo

  2. Já tive uma fratura por stress misteriosa no pé direito (eu era totalmente sedentária quando ocorreu) e canelite na perna esquerda quando estava começando a correr. O eliptico virou meu amigo e quando pude voltar a correr tinha até ganhado condicionamento. Meu cérebro trava uma luta constante entre o pensamento de que eu sou mulher, amadora e iniciante e o pensamento de que eu preciso de mais força de vontade. Não é fácil. Minha luta atual é baixar meu tempo nos 10k (correr em uma hora ainda é sonho pra mim). Vamo que vamo!

  3. Paula, sensacional este post…
    Respeitar o nosso corpo e o seu limite é fundamental para que a atividade física traga satisfação e prazer. Fiz balé por muitos anos e saí com um certo desgosto por atividade, os ensaios eram cansativos, duravam longas horas e no final sobrava cansaço, dor e muita raiva. Hoje voltei às atividades com a corrida, faço os treinos com orientação profissional e antes de conseguir objetivos numéricos, estou fazendo da corrida mais uma atividade da minha rotina, do meu tempo e do meu limite.

    Ótimas dicas, muitas pessoas estão correndo, mas muitas não tomam o devido cuidado com o corpo.

    AMEIIIIIII!!!!!

  4. olá querida!

    Obrigada pelo post, mas obrigada mesmo pela boa conversa de ontem.
    Eu realmente precisava ouvir sobre esta necessidade de parar de alguém que realmente amasse a corrida e conseguisse abrir mão efetivamente quando necessário.
    Estou na fase do uso do antiinflamatório, sessões de gelo e insistindo em correr; mas depois de ontem eu vi que isso é passageiro e que realmente neste ritmo, eu não chegarei a anos futuros como uma boa e saudável corredora.
    Com o nosso papo consegui aceitar que o que o médico me disser, realmente vai ser o melhor para mim e que eu voltarei sem dores e me sentindo realmente pronta para correr com o vento e não contra tudo e todos.
    É muito difícil passar por isso, principalmente quando vc está na academia e vê todo mundo correndo e vc se vê fora disso, aí parece que todo mundo na rua, tb resolveu correr e todas as provas apareceram do nada.
    Vou continuar precisando do seu apoio sim para passar desta fase, mas tenho fé de que será breve!

    Um beijo e obrigada novamente.

    Adriana

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