Furacão loiro.

Meu presente de Natal para as leitoras é nossa última Musa do verão do Ano, que diga-se de passagem é uma pessoa muito mais do que especial!

Ela não tem ” finte” anos, é mãe de dois, trabalha pencas, corre à véras (e faz mais 500 outros esportes!), viaja um monte, é linda, tem a cor do verão o ano todo e os cabelos loiros cacheados mais lindos que eu já vi, nossa paixão começou na Volta à Ilha de 2011 quando corremos na equipe Asics Tigers e nunca mais acabou!

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” Difícil escrever da gente, fácil falar da importância da corrida na minha vida. Ela foi a cola que achei por acaso pra me manter ativa pra sempre.

Comecei cedo, ballet. Não conheço uma moça de boa família que não tenha sido bailarina. Eu fui, das ruins, por 11 anos, mas amava.

Fiz os esportes da escola também, vôlei e handball, mas era pior ainda, era minúscula e tinha que jogar pra completar o time, desastre. A coletividade não era comigo.

Fui nadadora, das ruins por mais alguns anos, atividade que quase invadiu a vida adulta, mas era tipo natação lenga lenga, então não fisgou.

Não sei porque, nem quando algo viria a mudar internamente, uma vontade ligada a uma nova mulher que apareceu depois do nascimento do meu primeiro filho, o Victor, já aos 30 anos. Sempre fui magra, mas a gravidez dá aquele medinho de tudo mudar. Mudou. Pra melhor, amamentando descobri o Marcos Paulo Reis no antigo Projeto Acqua e nunca mais parei. Comecei lá nadando, molinha por dentro (Victor tinha 4 meses e lembro bem da forma disforme do meu corpo) e por fora… continuava nadando mal mas tinha a petulância de dividir a raia com triatletas de verdade. Adorei.

Vi ali sem querer um espírito competitivo e bacana de fazer as coisas a sério, com constância e no limite que tinha muito a ver comigo, mas isso eu ainda não sabia. Foi quase por acaso, ou competência (dele, o MPR) que aconselhada resolvi começar a correr. Tinha biótipo, ele me disse. Um triatlo talvez, eu pensei.

Tinha e tenho e acho que esse foi meu maior impulso. Larguei a natação e nunca cheguei ao triatlo. A corrida era comigo porque pela primeira vez na vida fazia algo bem, era relativamente fácil e me trazia uma felicidade diferente, “self accomplishment”, e  certeza de que se eu me dedicasse os resultados apareceriam.

Apareceram. Tenho 45 anos, sou mais forte do que jamais fui, mais em forma do que eu era aos 25 e tenho a sensação de que consigo levar isso adiante. Nunca tive obsessão por estar em forma, mas sempre gostei de colocar um biquíni sem me preocupar com o que aparece. Dá conforto.

A corrida naturalmente me deu força física e mental pra seguir fazendo e experimentando tudo na vida, esportes e coisas difíceis em geral. Nesses 15 anos, fiz 7 maratonas, subi os 5.895m do Kilimanjaro, fiz um trekking de muita altitude na Índia e os 115Km de Torres del Paine.

Esse ano, fiz o Cruce de los Andes pela segunda vez, a Golden4ASICS de Belo Horizonte e a do Rio de Janeiro, a Maratona de Paris, um retiro de ashtanga ioga seríssimo com Lino Miele na Bahia, estou tentando aprender a surfar (ai como é difícil) e aprendi a esquiar de verdade nessa semana. Mas tenho a sensação de que peguei leve.

Louca? Não, só que peguei leve mesmo… fiz tudo sem estressar nem planejar muito e suavemente. Acho que poderia ter me dedicado mais, mas estou bem feliz.

Quero fazer muito mais, perdi alguns ligamentos (o do joelho rompi na minha primeira tentativa de esquiar e o do tornozelo correndo ao pisar numa raiz no Central Park em novembro desse ano), kilos, gordura e mau humor, mas nunca perdi nem um programa com minha família, meu namorado e os amigos que eu amo. O esporte nunca me tirou nada, só me deu. Força interna e força de vontade pra fazer o que inventar ou quiser:  empowering como se diz por aqui..

Postei uma foto essa semana no Instagram aqui de Park City em Utah no meio da neve e uma amiga minha corredora das boas comentou “você não para, heim…”. Ski’n see todo dia com meus dois guris, pra aprender um novo esporte que aparece pra gente fazer nas férias quando der.

Pra 2013, Maratona de Boston e talvez Buenos Aires. Na sequência, em alguns anos desses, preciso fazer Londres e (agora) Tokyo pra completar as seis Majors, uma dessas talvez abaixo de 3h30min, e sonho fazer o Base Camp do Everest.

Parar pra que?

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(ballet aos 9, surf e ioga em Tagazout no Marrocos e a qualificação pra Boston na Maratona de Berlin)

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Que meu presente inspire vocês a falar e pensar menos “não dá”  em 2013.

Dá sim!

12 respostas em “Furacão loiro.

  1. Nossa, Paula e Dea… AMEI este post!
    Como dizem por aqui em Minas, “nuuuuu”!!!
    Sensacional a história, a lição de vida, vontade, determinação e, acima de tudo, PAZ.
    Sim, já pelas palavras deu para sentir uma paz ao ler cada pedacinho do post. A Dea é super!
    Parabéns, Dea! Parabéns, Paulinha!
    ARRASOU!
    Bjbjbjbj a vcs! ❤❤❤

  2. Putz Paulinha, é pra fechar bem o meu ano também. Especialmente vindo de ti e aqui.
    Sabe porque? Porque eu e você fazemos com coração na boca.
    Esse é meu jeito de viver, de correr, de amar.
    E você vai na mesma vibe, é uma das corredoras mais impossíveis que já vi, acho q a mais surpreendente pq não parece, aparece! Quem te viu correndo nunca esquece, corre ainda melhor do que escreve.
    Beijão e que venha 2013 (hoje ia acabar o mundo lembra?). Como assim…. com tanta coisa pra fazer…
    Tks Ju!

    • AMEI…… acho a Dea uma inspiração mesmo, linda loura, corre muuuuuuuiiiito etc etc etc
      Ela estava na minha lista das dicas de musas lembra?
      bjs pras duas, vcs arrasam

  3. Quem me conhece sabe que não dou valor para quem não merece. Tanto Andrea quanto a Paula Narvaez eu considero LEOAS …. pois, são mães dedicadas, profissionais brilhantes e tem a corrida como prazer, competição e sabe curtir como ninguém. Eu gosto muito de estar perto delas porque são desencanadas e estão sempre sorrindo. Correr de verdade, vão ao limite e ainda sorriem verdadeiramente …
    Esses sorrisos são reflexo do coração delas. E eu adoro isso!
    Por essa e tantas razões que sempre estarei aplaudindo de pé as conquistas delas… mesmo que seja um sorriso! 🙂
    Desejo ótimo 2013 pra vocês ! De quem sempre seria fã 🙂

  4. Que delícia de texto! A gente que conhece nem precisava dessas palavras todas para saber do amor da Dea pelas coisas que faz — correndo ou não. Tão bacana que a corrida, além de tudo o que faz de bacana, ainda traz amigas lindas pra gente. Feliz Natal e tudo de incrível sempre para vocês duas, Paula e Dea, amigas talvez menos próximas do que a gente queria, pela loucura do dia a dia, mas tão tão queridas! Bjo Apa

  5. Desde a primeira vez que acessei este blog, fiquei encantada! Parabéns Paula! Todos esses depoimentos nos serve de inspiração, motivação… comprovando a tese de que a corrida é um esporte democrático e todos, independentes de cor, raça, religião, idade, podem participar. Sou feliz por ter sido picada pelo bichinho da corrida e tenho grandes expectativas para 2013, afinal, tentarei correr a minha primeira meia maratona em SP. Bom, é isso! Vcs são exemplos de vida, coragem e determinação. Bjs e boas comemorações!

  6. Esclarecimento importante: Do convite da Paulinha ao dia de hoje muita coisa rolou!
    Falamos aqui do meu ano cheio de esportes e aventuras e finalizamos lindamente provocando vocês com a frase: “parar pra que?”.
    Pois então… mal sabia eu que 2 dias depois eu ia parar por um bom tempo, de correr e até de andar decentemente. Dia 23/12 arrebentei o joelho esquiando em Utah, azar total, tava devagaríssimo, entrando numa pista nova (os filhos voando felizes na minha frente) e paniquei. Caí de madura, quase parada, mas em cima daquele joelho q ja era meio arrebentado.
    Na hora, e até hoje, ficou me martelando a frase bombástica. Hoje, bem mais humilde eu reconheço que parar as vezes é preciso, bom e até importante. To de molho sério, não sei direito o que vai acontecer ainda com essa lesão associada, mas to feliz, bem feliz com tudo que tenho: a vida tá boa, o coração cheio de amor, meus filhos uma delícia, o trabalho chegando a zilhão e o ano inteiro pela frente pra planejar com cuidado o que fazer e como.
    Boston ainda é em abril e a esperança a última que morre!
    Achei justo que vocês soubesses! Vida louca vida.

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