Half Marathon Mizuno Etapa SP

Não tenho a menor dúvida que quando a gente faz a nossa parte no mundo, o mundo faz a dele na nossa vida.

Demorei um tempo para enxergar na vida offline essa missão que tenho de incentivar o esporte na vida das mulheres e de provar por A + B que nossos limites quem impõe somos nós mesmas. Aqui nesse blog sou exatamente o que sou em todos os outros lugares, e como a gente sabe que manter a transparência é um exercício diário, acho que esses anos de blogueira estão me ensinando muitas coisas sobre enxergar, aceitar e ajustar minhas fraquezas.

É impossível manter uma farsa para sempre, assim como é impossível sorrir e ser linda todos os dias. Me sinto privilegiada por diariamente escutar e ser escutada por tantas meninas, que assim como eu so querem seguir a vida felizes e  se sentindo úteis para o mundo e que óbvio, num dia tão bem e no outro estão mais ou menos.

Me sinto privilegiada tb por ter tanta gente abençoada por perto, principalmente a parça e a Debs que diariamente me ensinam muito sobre força e respeito.

Felicidade também contempla o modo como a gente “se trata”. Hoje aprendi a me respeitar, me valorizar e a honrar minhas escolhas muito mais do que antes cuja minha maior preocupação talvez fosse provar pras pessoas que eu não era uma loser.

Sei lá, às vezes tb  estamos em ambientes errados, em situações e ciclos errados ou até mesmo com pessoas erradas e é inevitável que isso não interfira na maneira como a gente “se trata”, como a gente se vê e como a gente se posiciona com o mundo.

E no fundo acho que tudo é decisão nossa, por isso acho que sempre vale à pena a gente pensar sobre os ciclos que queremos quebrar, aprendi isso com a parça e sua missão no mundo que é ajudar a quebrar os ciclos da violência contra a mulher.

Tudo na vida são ciclos e só depende da gente quebrá-los caso não estejamos mais felizes.

Eu quebrei alguns e a vida tem sido “daora” comigo. Depois conto a outro notícia boa pois hoje falarei sobre a meia da Mizuno que participei ontem e foi uma das melhores provas que corri nos últimos tempos.

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Nunca coloco número de peito pra correr leve, exatamente por isso que não participo de provas todo final de semana e não tenho nenhum problema em desistir na véspera caso não esteja me sentindo bem.

Como decidi que não faço mais prova na TPM pq sofro muito,  só correria se ficasse menstruada.

Por outro lado, minha vontade de participar era grande!

Sei que a Mizuno nunca faz nada meia boca e além de ser uma prova nova no caléndário, tinha certeza que seria uma paquitagem das boas. Fiquei durante dias fazendo pensamento positivo…E funcionou!

Cheguei sozinha Domingo de manhã no Jóquei (falei pro babe ficar em casa dormindo), deixei minhas coisas na tenda da imprensa e fui pra largada com meu amigo Harry. Já tomei uma do Wanderlei que me mandou largar mais da frente, sem sucesso, pois permaneci ali ao seu lado junto com o pelotão de  de 01:45.

Não ia me sentir bem ali do lado de um monte de gente doida pra ir pras cabeças, sei que isso me custa alguns minutos pois tenho que correr os primeiros km desviando e atravessando a multidão, mas por mais que seja competitiva sei que não sou elite e prefiro me colocar no meu lugar.

Enfim, corri os primeiros 3km com o Harry e nos desgarramos quando ele colou na parça que tava ali na frente e eu resolvi apertar um pouco mais. Tudo fluía, bebi todas as águas oferecidas, como esqueci de comprar as jujubas tive que tomar gel, mas com o tempo frio o gel não ficou quentinho e nojento e consegui por pra dentro sem dramas. (tomei o de Açaí da Integralmédica)

Tava correndo soltinha, mas  zig zag vai e volta na Avenida do Parque Villa Lobos comecou a me irritar um pouco.

Olhava em volta ng conhecido, apenas muitos homens e todos estranhos.

Procurei pensar em outras coisas, dar uma devaneada durante esses km e qdo percebi já estávamos na subidinha da ponte novamente. Chovia e aproveitei a energizada que isso me deu para dar mais uma apertada na passada.

Preferi  não acompanhar parciais pois queria fazer força sem nóia, então não tinha idéia nenhuma de tempo ou de colocação. Faltando 1,5 pro final da prova uma moto colou em mim e disse q eu era a primeira da imprensa. Não me lembro se estava forte ou mais ou menos pois no final já perco essa noção e pouco me importava o relógio. Lembro que foi gostoso ouvir isso e resolvi apertar mais.

Aquela reta nos últimos 500m já dentro do Jóquei sempre achei a pior parte, mas ontem  pareceu que tinha 100m e qdo percebi já tinha cruzado o pórtico.

Não foi fácil, nunca é! Mas acho que a concentração que adquiri durante a planilha do Wanderlei ajudou demais. (20km na USP em plena Quinta-Feira  e antes da jornada de trabalho  não é algo que se faz sem concentração).

Me senti correndo concentrada, sem fazer contas e despreocupada com quem tava na frente.  Sei que não é sempre que a gente corre assim, que somos um bando de amador coxa querendo buscar performance de profissional, então procurei aproveitar ao máximo esse momento.

Treinar com o Wand.Oliveira tem me ajudado em muitos aspectos além da corrida, o psicológico tem sido um deles.

Comecei a correr 21k em 2009 e ontem bati meu recorde pessoal na distância e subi no pódio da imprensa (liguei pro babe ir pro jóquei dividir comigo essa emoção):

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Dizem que ganhei uma viagem pra Buenos Aires, não sei de nada ainda oficialmente. Mas independente disso foi maravilhoso poder levar pra cima a mensagem da nossa camiseta ‘Mulher de verdade não aceita violência”.

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Sobre a estrutura, achei a prova muito bem organizada. O percurso bem marcado, sem encontrões desagradáveis.

Além disso, haviam muitos pontos de hidratação, inclusive uns estratégicamente posicionados metros depois da tenda do  gel e outros nos finais da subidas que salvaram muito.

Acho meio desnecessário o impacto ambiental, mas havia uma tenda de esponja  (o quanto polui fabricar esponjas?)  que seria até útil se estivesse calor.

Acho que a Asics pode comecar a se preocupar pois tem uma forte concorrente pra Golden Four. A Mizuno fez e fez muito bem feita essa prova!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Treino #corrafree no Pacaembum (sem acento kkkk)

Semana passada fomos convidadas pela Nike para participar do treino #corrafree no Pacaembu que aconteceria no Sábado dia 17, e como não existe festa sem as amigas, eu, a Debs e a Gabi lançamos uma contrapartida pro caras:

um concurso de fotos no Instagram para levar com a gente as donas das 3 fotos  mais lindas.

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Quando falamos em fotos lindas, não pensamos em fotos produzidas de barrigas trincadas usando top ou belíssimos cabelos loiros ao sol. Pensamos  em situações e expressões inspiradoras. Cada uma de nós – por diversas razões – escolheu sua preferida. corrafree

Vejo  que a Nike, assim como o Corra Pela Vida,  não pensa só na corrida.

Acho que eles querem proporcionar experiências, o que talvez justifique o fato de não ter nenhuma corrida deles no Brasil já que somos um país saturado em provas de corrida de rua e poucas soam como especiais.

Vamos combinar que eventos pontuais e especiais são muuuuuito mais interessantes do que o lugar comum.

Enfim, o treino #corrafree teve uma versão no Maracanã e uma no Pacaembú, os 50 convidados aprenderam um pouco sobre o novo Nike Free

e ganhamos um kit:

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Como eu já havia ganhado o Free 3.0  no treino para a imprensa que aconteceu no começo do mês no Parque Alfredo Volpi,  desta vez veio o 4.0 Mas não só pra mim, como pra todo mundo que tava lá a cereja do bolo foi a camiseta da copa (aka Yellow Jersey) personalizada:

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Quando eu falo de experiência, penso que o que torna algo especial não é o quão grande essa coisa é, e sim o quão significantes são os detalhes. A gente podia ter entrado normalmente, como se entra quando tem corrida por lá, mas entramos no estádio pelos corredores e escadinhas por onde os jogadores entram em dia de jogo!

Foi demais! Um detalhe que certamente impactou todo mundo.

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O treino foi comandado pelas meninas do Núcleo Aventura/Projeto Mulher,  contemplou subir correndo a arquibancada e dar voltas por fora do campo e um café da manhã mara no final de tudo. Nós 6 ficamos juntas quase o tempo todo e foi bem legal ver o quanto as meninas estavam felizes por estar lá.

A gente tb ficou muito feliz por ter conseguido botar uma pilha e montar o concurso.

A hashtag #corrafreepelavida teve 900 fotos em menos de 24 horas! Ficamos mega felizes por ter tido tanta gente querendo participar e um pouco #chati por todas não estarem com a gente no Sábado.

A gente não gosta de fazer concursinho ou sorteio de brinde sem vergonha, se é pra lançar um desafio que a recompensa valha à pena, certo?

Ah, é. Não contei:

 

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Agora quem cuida da gente é a Milk Comunicação Integral, dos queridos Ricardo Santos e Rodrigo Raso sob a direção da GATA Ju Cassino, e pras bonitas que não foram Sábado, a novi é que tem treino novo sendo desenhado.

De qualquer forma, quero agradecer todo mundo que participou e agradecer a Nike e à Milk por terem abraçado nossa idéia.

Boa semana bunnies!

Nike LunarGlide 5

Quando posto fotos dos meus Nikes de onça muita gente pede para falar dele aqui, acho que já falei antes mesmo de lançar, pois gosto dessa coisa de dar a notícia antes.

Mas como também é importante das as considerações do depois, aí vão elas.

O Glide 5 veio na versão lisa com aquelas combinações de cores que deixam a gente maluca.

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E na versão CHEETAH, que não deixa maluca, deixa alucinada.

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Do lado do  Mizuno Prorunner, Nike Flyknit e Adidas Boost, está na lista dos preferidos, mas ele está na vantagem pq faz parte dos TOP há anos, desde a primeira versão.

Uso  tanto para treinos mais curtos quanto para longos, na verdade acho ele ideal para longos pois tem amortecimento, não pe muito alto e nem pesado, aliás é muito leve.

Nas infos consta que ele é um tênis que porporciona establididade, ou seja, é para pronadores. Mas como eu já não acredito mais em pisadas e sim em conforto mesmo meus testes dando supinada uso esse tênis há muito tempo e não houve nada.

Acredito que corredores mais leves podem optar por tênis mais leves, e corredores pesados por tênis mais pesados (ex. Asics Kayano, Mizuno Creation e por aí vai). Posso estar errada, mas em meus anos de corrida hoje é assim que me sinto, acredito mais no que me faz sentir confortável.

O Glide 5 custa R$499 , a versão anterior é possível encontrar por uns R$399,

 

 

El Cruce 2014 – Dia 2

Quer dizer, mesmo nós meninas levando a fama de levar tranqueira na mala o que vi no Cruce foi outra coisa:

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Eles ficavam 3 horas desde conseguir tirar tudo da barraca até fechar a mala, enquanto nós duas que já estávamos prontas, lindas, maquiadas, alimentadas, fotos do insta it nail da semana feitas  e com as malas despachadas morríamos de rir.

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Na verdade nossa vida andava bem pq já acordamos ambientadas naquele metro quadrado chamado LAR e fomos botando ordem. Despachamos as malas rapidamente e fomos para o DESAYUNO  ou café da manhã (demorei uma semana pra descobrir que era isso, a parça que me contou!). Frutas, pãozinho quente, café etc e até que era gostosinho. As frutas da Argentina são sensacionais!

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O segundo dia ainda era um mistério para todos e por causa do mal tempo a subida do Vulcão Osorno foi cancelada e o trecho reformulado, disso a gente sabia, só não sabíamos exatamente quanto correríamos.

Pegamos um ônibus e uns 45 minutos depois chegamos a um local de onde tivemos  3km à pé até o local da largada.

Enfim, isso era umas 9:30am.

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Aqui a gente ainda tava feliz, segundo a organização o dia 2 teria apenas 21km, e apesar da pequena frustração, estávamos cansadas e correr “apenas” 21 não era de todo mal.

Algumas pesssoas  inclusive abandonaram água e comida para carregar menos peso já que seria “pouco tempo”.

A largada foi dada às 11am.

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O trecho era bem bonito, mas não muito fácil, muita subida e descida daquele tipo CALA A BOCA, sabem?

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Estávamos mega agasalhadas e saiu um puta sol, portanto quase todo mundo correu com kilos de blusas penduradas pelas mochilas e pelas cinturas….

No kit que recebemos havia uma bandeirinha para ser colocada nas mochilas, então era legal saber de onde era o corredor da frente. Era gostoso ver tantos brasileiros e muita felicidade encontrar os conhecidos.

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Eu e a parça mantínhamos a estratégia de falar pouco. Nas nossas cabeças o lance era correr forte esse trecho que seria o mais curto da prova.

Então acabou a estrada de terra e entramos numa praia que na verdade era um lago, aquele tipo de paisagem me fazia ter alucinações e picos de felicidade por estar ali. Durante toda a prova mesmo passando perrengue, mantive a mente positiva e procurei não esquecer que estava li pq assim escolhi, afinal de contas aproveitar  ou sofrer era uma escolha de cada um.

Isso foi dito no congresso técnico e jamais me esquecerei.

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Os corredores da elite começacam a cruzar vindo do sentido oposto e calculamos que a volta seria logo adiante.

Subimos um monte até uma fazenda, paramos para comer, tirar fotos e paquerar (só que não! kkkkk)

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Tesãozinho do El Cruce.

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A parça começando a ficar nervosa…..detalhe da mosquinha beijinho no ombro.

Realmente o El Cruce é uma prova com todo tipo de gente: linda, feia, maravilhosa, horrorosa…e isso é uma particularidade muito interessante. Quando a gente tá correndo há horas e os pensamentos se esgotam é natural observar as pessoas, roupas,  equipamentos, e eu com minha alma de trendhunter não consigo deixar passar nada.

Well, a descida veio e a água acabou e entramos numa floresta linda, meio com cara de jardim de invern.

Lá a Gabi tava meio possuída e com espírito de líder das bandeirantes correndo rápido demais, por isso não consegui tirar foto.

Sentia muito orgulho quando via a parça lá na frente liderando o pelotinho e me lembrei muito de um filme que assistia quando criança, Bandeirantes de Beverly Hills.

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No final da descida reabasteci a mochila com água do lago e começava a volta do trecho.

UM PORÉM:  já havíamos corrido 16km e ainda tinha a volta portanto a porra do trecho não teria 21km como havia sido informado!

Tudo bem afinal de contas a gente é raçuda e corre o quanto for preciso, mas acho um pouco de descaso e sacanagem a organização dar informação errada ou mentirosa. 

Como não é todo mundo que lida bem com esse tipo de imprevisto, até pq corredores gostam de saber quanto vão correr, muita gente quebrou. Eu e a Gabi usamos a nosso favor e passamos um monte de gente.

Não adianta vir com papo de que corredor de montanha tá preparado pra perrengue pq não é bem assim e  se o trecho de uma prova de 80km tiver 90k, o montanhista das galáxias certamente vai reclamar.

Bom, pelo menos a relaçao dificuldade e beleza estavam ficando proporcionais: quanto mais díficil era e mais cansadas a gente ficava, mais linda ia ficando a corrida.

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Neste momento do lago senti a parça meio irritada, meio pisando forte e cansada daquilo tudo. Ela jura que não mas meu detector de bode apitou. Na real eu tb tava muito cansada e de saco cheio, então combinamos de socar a bota assim que fosse possível correr de verdade pq até então havíamos andando um monte.

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Sorrrisinho falso da parça e a faixinha azul diferente ela achava que estava abafando até eu contar que era do Cruce 2013 hahahahahahaha.

#maldadesdapaula como se a a minha faixa não estivesse um turbante ridículo, né?

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Ah, só uma idéia pra quem resolver correr o Cruce ou qualquer outra prova usando os bastões: TREINE COM ELES!

Eu e a parça fomos na raça mas ficamos bem irritadas com as pessoas que levaram sem saber usar. Conforme você segura quando não está utilizando, o bastão machuca quem vem atrás, então se quer usar SAIBA USAR, ok?

Corrida começou, ligamos o turbo e socamos a bota. Foi pesada e cansativa mas o desejo de acabar logo era tão grande que fizemos o máximo de força que deu, só conseguíamos imaginar barraca, malas, comida e soninho!

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Com as amigas Carol e Bibi.

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Chegamos com 32km em 06:07 e tava todo mundo Feliz!

Fomos bem, nesse final passamos vááárias pessoas, várias duplas de damas e ainda tinha muita gente atrás.  Mal podíamos esperar pelo descanso.

SÓ QUE NÃO!

Aconteceu que tinha  um transfer de 3 horas do local de chegada até o camp 2, claro que ninguém nunca nos avisou nada e não havia comida e bebida pra consumirmos ou levarmos no busão. E a gota d´água foi com quase 3 horas de viagem o busão simplesmente parar no meio da estrada faltando uns 15km pro final da viagem.

O motorista nos disse que além de o ônibus não ter capacidade de subir a ladeira, era preciso esperar descer os 16 ônibus que subiram pq a via era mão única.

Pesadelo ou o que?

No escuro, sem água, sem comida, no meio de uma floresta tropical chilena e tendo que aguentar uns fdp de uns carabineros que não ajudavam em nada e riam da nossa cara.

Gente, aqui corre sangue mexicano:  não tava aguentando de cansaço, de irritação, de fome, de sujeira e acabei brigando com os caras.

Gritava e chorava “Seus carabineros de mierda! El Cruce do carajo!!”  a sorte foi que a parça não descontrolou ao mesmo tempo e me acalmou. Mas aí qdo quem estava calma era eu,  ela subiu na tamanca e gritava com os policiais: “Cade la justitia del país? Estão enganando a nosotros, no ay buses desciendo!”.

A parte boa foi ter o  Marcio Tomasi, o amigo ginecologista segurando a onda das poucas meninas que estavam no busão (5 acho).

Chegamos no camp SEIS horas depois (quase meia noite) e o clima era péssimo, parecia um campo de refugiados.

Minha coach Cris Carvalho foi muito querida e estava parecendo apreensiva ao esperar a galera do Núcleo que não havia chegado, foi super solícita e me ajudou com as malas, acalmou e me atualizou da situação: estava quase todo mundo puto e todo mundo passou perrengue.

Houve uma chuva muito forte e algumas barracas voaram fazendo com que algumas duplas e (HOUVE BOATOS)  alguns privilegiados da elite fossem  dormir em um quarto coletivo quente e com banho.

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A comida estava horrível, fria e praticamente comemos no chão.

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Não vou esconder que  nesse momento pensei em  não correr no dia seguinte. Nossa barraca estava com poças de água, sentia arder cada músculo do corpo, estava toda queimada do sol forte e muito irritada com a situação do ônibus.

O pior de tudo era não poder tomar banho, fiquei tão puta que mesmo chovendo forte, ventando e fazendo um frio horrível resolvi sair da barraca munida de headlamp, garrafa de água mineral e sabonete líquido para tentar tomar um banho da cintura pra baixo.

Podem me julgar, mas não consigo transpassar a barreira da limpeza e dignidade. Fiz um tchacotchaco ali mesmo na frente da barraca e de quem estivesse passando como se não houvesse amanhã.

Fomos deitar umas 3 da manhã, a noite prometia ser péssima e eu já tava praticamente decidida a não correr no dia seguinte. Como disse, chovia forte, a barraca  suava causando um dos piores pânicos que já senti e não dava pra sair pra fazer xixi.

A Gabi acordou umas 4am passando muito mal, com pânico e me dizendo que ia sair pra respirar e pedir ajuda, disse que era mãe de família e não queria morrer ali no meio do nada.

Nunca fui muito boa em consolar e/ou acalmar pessoas, mas tinha que dar o melhor pra ajudar minha amiga pois se ela saísse naquele momento além de não achar ng pra socorrer ia ter uma hipotermia.

A parça lembrou dos sintomas que nosso amigo gineco disse ser de desidratação e tomou uma pastilha de GU,  já eu lembrei que uma vez vi no Discovery que tirar o corpo do estado de adrenalina em situações extremas ajudava e  falei pra ela diminuir a respiração além de ter feito uma massagem nas suas costas. Fiquei realmente com muito medo nesse momento.

Foi uma noite horrível e pra ser sincera o motivo maior de eu não ter desistido de tudo foi pensar o quão ridículo seria contar pra vcs que peidei na tanga e não soube lidar com as dificuldades.

Logo eu que sempre falo pra não desistir e que nós mulheres somos fortes guerreiras ia desistir?

Seria o papelão da vida e descartei a possibilidade!

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#negodrama

continua em breve…

El Cruce 2014 – Dia 1

Gente, se não tem drama não tem graça, vira mais um…

Bem, podem nos julgar mas antes de partir eu a a parça fizemos um super intensivão de beleza: sauna, esfoliação, hidratação nos cabelos e até um baby liss básico.

Porque o DURANTE e o DEPOIS já sabíamos que seria puxado e impossível de manter qquer dignidade de beauté.

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Passada a retirada de kit (que aliás era um SENHOR kit com vários itens), despacho das malas, congresso técnico – que mais emocionou do que explicou – fomos pro hotel, arrumamos as mochilas de hidra e comidas e fomos pra cama. Nada de jantar com galere ou mais paquitagem, a hora era de eu e a Gabi entrarmos uma na vibe da outra.

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Essa história de pegar transfer até local da largada ou na chegada em direção ao camp era uma idéia que não agradava muito, até por ouvir péssimas experiências de corredores que foram em outros anos.

#elcrucedelosbuses

Pegamos um ônibus às 6:30am de Puerto Varas até o local da largada, o que demorou mais ou menos 01:30. O problemas é que nessa uma hora e meia dá vontade de tudo: de sumir, de fazer cocô, de fazer xixi, de mudar o look, de comer, de ligar pra mãe….e aí já viram.

Eu e a parça estávamos numa energia muito boa, eu só conseguia pensar no quanto estava feliz por finalmente estar no Cruce. Tipo criança na Disney, tava muito feliz mesmo, até dei uma choradinha de leve.

O local da largada era uma costeira ,  lago maravilhoso e por causa do tempo fechado havia um foggy que deixava tudo meio dramático.

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(Fotos: Thiago Diz)

Preciso abrir um parêntese aqui e contar que mesmo antes de começar o perrengue, toda vez que olhava a parça com essa faixinha RUNNER GIRL dava vontade de fazer xixi.

Morria de rir, a parça tava toda linda combinando parecia que ia pro longão na USP e dps tirar foto pro Insta, tava muito paquita.

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Não dá pra ver muito na foto, mas atrás do pórtico havia um vulcão, uma das imagens mais lindas q já vi na vida.

Bem, largamos na costeira cujo solo era nada amigável. Cheio de pedras grandes, pequenas e todas soltas, era o cenário perfeito pra virar o pé logo de cara.

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A corrida não desenvolvia pois além do terreno difícil, fazia MUITO frio. Eu e a parça não conversamos muito sobre estratégias e essas bobagens todas, preferimos falar sobre carreira, amor, filhos, cabelos e chocolates.

Mas deixamos combinado que não nos abandonaríamos e  quem estivesse mais forte esperaria a outra, numa corrida em dupla o importante é estar alinhada haja o que houver. Apesar de a própria parça insistir que sou mais forte, isso nunca me preocupou. Primeiro porque acho que nós duas estamos no mesmo nível sim e depois pq mesmo que não estivéssemos, a questão é que NUNCA SE ABANDONA UMA PARCEIRA.

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Esta foto é do trecho onde começamos a subir e a temperatura começou a baixar bruscamente.

A maioria dos brasileiros sofreu demais, eu mesma subestimei o frio pq além de não ter tido oportunidade de treinar no frio, acabei despachando na mala as luvas que a  Mizuno me deu por achar que  seriam desnecessárias, além disso  não coloquei roupa o suficiente.

Usava a camiseta da prova, uma manga longa térmica e um corta vento que não era totalmente impermeável. Neste dia – quando ainda não era maladra –  nem pensei na possibilidade de levar um sacão preto de lixo e senti falta do Gore-Tex.

A sensação térmica dizem que foi de menos 5 graus. Não tenho idéia, só sei que nunca senti um frio parecido. As mãos ficaram duras e doloridas, não podia abrir a mochila pra pegar comida, a pele das pernas queimava de frio e a chuva castigava.

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Pra mim nada podia ser pior do que aquele cenário. A parça tomou um rola e eu tava tão anestesiada, me sentindo tonta, e os olhos fechando parecendo sono que não conseguir fazer nada além de gritar “Foi só o primeiro tombo, vamo!”.

Aliás, peço desculpas pra parça, é que eu só pensava em sair o mais rápido possível daquele lugar.

Ela é tão bonitinha!! A gente não conversava muito e ela falava assim: ” conversa comigo?”

Falávamos pouco pois não sobrava muita força, mas sempre uma estava de olho na outra e perguntando se estava tudo bem.

Começamos a descer e apesar de o frio ter melhorado, a chuva continuava. Paramos para comer nossos sanduíches no KM 20. O relógio marcava 3 horas de prova e a gente tinha certeza absoluta que o pior havia passado. Continuamos a correr, logo na frente havia um posto de hidratação – que aliás foi o único da prova toda – mas optamos por não parar.

Encaixamos um ritmo forte e quando começamos a fofoca pesada….nos deparamos com UMA FILA no meio da floresta!

Chovia forte e era desesperador ficar parada. A única parte boa foi encontrar muitos amigos e pessoas conhecidas na mesma (me desculpem a má palavra) MERDA.

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Passada uma hora na fila, as pessoas comecaram a sacar da mochila o cobertor de emergência – que era um obrigatório. Inclusive aprendi o porque de nunca se ignorar a lista de obrigatórios, se não fosse esse item não sei se teríamos aguentado o frio.

Como a Gabi tem muita sabedoria, só me contou depois que minha boca estava ficando roxa. Só lembro que em um momento ela me disse: “Toma parça, passa um batonzinho!” e eu fiquei meio confusa pq a pessoa no meio daquele caos tava me mandando passar batom…

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O cobertor térmico nas pernas aliviava um pouco e chegava nossa vez de descer o barranco e o rio por uma cordinha. Achei totalmente desnecessária essa parte.

Depois de 01:30 de fila conseguimos descer pela cordinha e nos segurando em um cipó. Foi ridículo.

Correr era a última coisa que fazíamos. Logo a seguir o trecho era de lama até o joelho, depois subida de um barranco com lama tipo sabão…e chovia…e a gente sofria….e a parça com sua faixinha RUNNER GIRL falava: “Estudei 14 horas por dia e olha minha situação!”.

E eu afundava o pé na lama e quando tirava o tênis ficava. Perdia o tênis, a dignidade, a paciência…tava ficando chato lidar com aquele barro todo.

O que tirava o foco do perrengue todo eram as piadas que a gente soltava. Nesse momento o silêncio deu lugar a uma longa sessão de piadas e palavrões, nunca falamos tantos na vida.

Sei que foi lama, cocô de vaca, campo de margaridas…e CINCO horas depois conseguimos completar os últimos 22 km. Isso mesmo CINCO HORAS. Totalizando 08:30 de prova num percurso que teria 39k mas no final teve 42.

Não estou brincando, era impossível manter ritmo e conseguíamos correr em poucos momentos. Tirando a 01:30 que ficamos paradas na fila demoramos 07:00 para correr o primeiro dia.

O camp 1 era bacana! Tinha comida boa e um lago ultra hiper mega gelado, apesar de todos os planos e cosméticos biodegradáveis que haviam na mala para o banho no laguinho….pulamos esta parte e tomamos um banho de lencinhos!

A comida era massa e churrasco, aliás um churrasco delícia feito numa fogueira gigante onde as pessoas secavam as roupas e os tênis.

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Foto Thiago Diz

Tentamos muito manter nossa barraca (ou CARPA, como eles dizem) organizada, mas ela não tinha nem 1m2 e manter ordem ali tava difícil. Ainda mais com duas mulheres que nunca acamparam na vida e possuiam duas malas gigantes.

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A parça é sensacional, ela levou um lampião Black Diamond muito sucesso e nossa barraca era a mais iluminada do Cruce.

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Era a mais iluminada e a mais cheirosa. A gente não lavou os cabelos mas arrasamos no Moroccan Oil, era máscara mas usamos como leave in pra ficar pelo menos sob controle parecendo que é bom.

A dor e a selva são passageiras, mas as fotos são eternas portanto o cabelo tinha que pelo menos parecer bom.

Levei umas polainas de lurex muy lindas que impressionaram muitos argentinos, eles me paravam para ver como ela brilhava! Pq aqui a gente perde o tênis na lama, perde a tag da mala, perde a hora de acordar mas não perde o style!

Como disse anteriormente, não sou nem um pouco supersticiosa. Levei este kit somente para me sentir mais segura, sentir a presença – de alguma forma – das pessoas queridas.

A foto é do meu avô, o bilhete é da Malu e as rosas são do arranjo que o babe me deu.

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O Sergio Rocha veio em casa gravar o vídeo da mala do Cruce:

Separei os looks bonitinhos em saquinhos…que piada. A mala na verdade foi até bem editada, não levei excessos mas acabei não usando metade das coisas.

Cosméticos então não usei nenhum , apenas desodorante, lenços umedecidos e um bantonzinho. (Último dia, tô eu chorando de medo de sair da barraca na tempestade e a parça diz: “a gente devia ter trazido um iluminador, né?)

Ai gente vou confessar que até um saco de Marshmallow levei, tinha a ilusão de assar uns na fogueira…..

Enfim, depois do ritual nos deitamos pra TENTAR dormir.

A parça comprou o saco de dormir mais top do mundo, mas como ficava com pânico de entrar nele, ela dormiu por cima. Estava coberta apenas por um cobertor fleece do ursinho Ralph Lauren que a fez morrer de frio durante a noite….

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Eu até a convidei para dormir comigo (claro sem ser gay pois não gosto de meninas) pois fiquei preocupada dela passar muito frio. Além do mais eu tinha levado o colchão inflável que meu amigo Paulo emprestou e mesmo o colchão estar meio mole meio duro, minha cama era mais confortável do que a dela.

No final ela ficou  por cima do saco e com a cobertinha do ursinho,  mas parecia estar feliz daquele jeito apesar do frio.

E adormecemos.

…to be continued.

Status

Há alguns minutos senti vontade de postar no meu Facebook pessoal a seguinte frase:

às vezes a vida trolla a gente, né?

É engraçado as pessoas acharem que sou uma fortaleza, um poço sem fundo de energia e otimismo. É engraçado inspirar tanta gente mas aos deitar a cabeça no travesseiro pensar:  “puxa, mas que bagunça é essa na vida?”.

Engraçado não, é meio triste na real.

As redes sociais e a vida online tornam a vida e a cabeça da gente um turbilhão de paradoxos, quem nunca se perguntou se não é ou já foi uma farsa?

Me considero uma pessoa fisicamente abençoada, aquilo que chamam de GIFT acho que Deus me deu. Me considero raçuda, não entro numa parada para perder…não para os outros, digo perder pra mim mesma. Quero sempre ser melhor do que fui na última vez, quero sempre provar que tinha tudo para dar errado mas sigo firme no propósito de dar certo.

E me cobro. Me sinto perdedora quando não consigo lidar muito bem com o que a maioria de nós naturalmente não consegue: os sentimentos.

É fácil correr bem, basta treinar duro.

E lidar bem com as emoções? Depende de treino também?

A parte boa é lembrar que somos seres humanos transbordando sentimentos e que no final (que final?) tudo fica bem.

Somos um Work In Progress.

Mas é difícil, é difícil engolir o choro, é difícil uma risadinha forçada…é difícil não pirar.

Já fui uma pessoa bem pirada, ainda sou…mas menos. A corrida me ajudou a neutralizar todos os maus pensamento e inícios de surtos que pintam.

E é por isso que corro.

Minha vontade agora às 10:25pm é sair correndo debaixo dessa garoa fina que tá em SP…como se não houvesse amanhã.

Mas há o amanhã, meu cabelo tá horrível e provavelmente ao acordar terei que lavá-lo, secá-lo e seguir pro trabalho bonita como se nada estivesse acontecendo.

Prazer, meu nome é Paula…mas hoje sem o CORRE.

Boa noite bunnies!

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Só um desabafo.

Projetos, hashtags, paquitagem, foto de salada, foto de barriga e afins são legais na dose certa e muita encheção de saco na dose errada.

Compartilhar, se inspirar ou inspirar alguém, ser de verdade, fazer de verdade e dividir de verdade. É tão difícil ser de verdade?

Falar coisas bonitas e emocionais dá bastante like, falar que era gorda e tá magra também, postar foto corrndo e chorando tb dá muito like…se é like que você quer (fica a dica).

Tem muita guru da corrida hoje em dia, muita gente que não compartilha, ensina.

Muita gente que não cria, copia.

Compartilhar é lindo, copiar é vazio.

Formar opinião não é somente falar uma coisinha qquer que acreditamos ser verdade e esperar que se torne uma verdade absoluta.

Ser formador de opinião é como disse a raposa ao Pequeno Príncipe:

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”

Se você quer inspirar, faça, se você quer influenciar, seja você e prove para as pessoas por que aquilo que você está falando é algo bacana…e não queira tornar uma verdade absoluta.

Muita gente me pergunta em quais blog de corrida  entro e sempre digo que nenhum. Quando perguntam por que, a resposta é simples: porque não quero correr o risco de me pautar pelo que os outros estão fazendo, quero me pautar pelo que sinto, pelo que vivo e pelo que acho pertinente passar adiante, mesmo que seja a foto da minha tomada com 24 plugs quase pegando fogo…

Decidi que meu CORE é a vida real, é a falta de tempo, de glamour e de dinheiro.

Meu CORE é rir e fazer rir das coisas que todas nós passamos diariamente….e passar adiante que mesmo sem beleza, sem glamour e sem dinheiro a gente pode treinar e ser pau no gato!

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Tomar posse das minhas piadas é fácil, mas já vou logo avisando:

ser eu não é tão fácil nem tão gostoso quanto parece não, tsa?

Torne SUA vida SUA pauta, levante do sofá, vai suar de verdade e depois pensa em como vai fazer a foto pro Insta!